EXTENSÃO

Projeto Pancpop da FURG ministra oficina de gastronomia em escola pelotense

Ação foi desenvolvida em parceria com o projeto Hortas Urbanas da Ufpel

Foto: Equipe Pancpop

Na última segunda-feira, 3, o projeto de extensão PANCPOP, da FURG São Lourenço do Sul (FURG-SLS) promoveu uma oficina de gastronomia na Escola Municipal de Ensino Fundamental Frederico Ozanan, de Pelotas. A atividade foi ministrada pela coordenadora Jaqueline Durigon; pelas bolsistas Carolina Possa, Laura Becker e Rafaela Olixewski, e pelo voluntário Gabriel Baeta, ex-bolsista do projeto. A ação foi desenvolvida em parceria com o projeto Hortas Urbanas, da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel).

O objetivo foi sensibilizar os presentes sobre a importância e a diversidade cultural e nutricional das Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC). A oficina teve duração de três horas e contou com a participação de aproximadamente 40 pessoas, em sua maior parte estudantes do sétimo ano do ensino fundamental. Também integraram o grupo as merendeiras, a nutricionista e a equipe diretiva da escola, além de pessoas da comunidade.

Inicialmente, foram expostas várias espécies PANC, como flores, frutos, folhas, tubérculos e raízes comestíveis, e os estudantes foram convidados a nomeá-las com tarjetas. Frutos de ora-pro-nóbis (Pereskia aculeata), flores de lavanda (Lavandula) e coração de bananeira (considerado uma parte alimentícia não convencional), foram as PANC que mais receberam tentativas. “Buscamos que eles visualizassem toda essa diversidade e que pudessem interagir, observar as estruturas e ver quais dessas plantas conheciam, e mais do que isso, por qual nome que eles conheciam. Foi uma forma de nós sabermos quais as plantas eles estão mais familiarizados e familiarizadas, para podermos explicar mais sobre aquelas que eles tinham maior interesse ou aquelas que tinham menos familiaridade, esclarecendo dúvidas”, explica Jaqueline.

Os estudantes e os demais presentes tiveram a oportunidade de experimentar algumas espécies. A partir da atividade, a equipe do projeto também trouxe informações sobre outras PANC não tão atrativas visualmente, mas bastante nutritivas quando inseridas na alimentação. “Existe uma tendência de darmos mais atenção e mais importância para flores e frutos comestíveis, em detrimento de plantas que por vezes são tratadas como ‘inços’ ou ‘ervas daninhas’ por parte da sociedade, mas que na verdade não são nada daninhas, pois grande parte delas são plantas extremamente nutritivas, saborosas e possíveis de serem incluídas na alimentação”, explica a professora.

Na sequência, foi realizada uma oficina de preparos PANC, onde o grupo aprendeu como fazer peixinho-da-horta (Stachys byzantina) empanado e molho pesto de folhas e flores de capuchinha (Tropaeolum majus). Os estudantes apresentaram seus pratos e foi realizada uma degustação. “Foi talvez o ponto alto da oficina, porque os estudantes se envolveram e se sentiram bastante felizes em realizar os preparos. Todos queriam perguntar, se envolver e fazer… Eles remeteram isso ao Masterchef e queriam que fosse postado em suas redes sociais, queriam ser vistos fazendo isso”, diz Jaqueline.

A professora entende que a ação junto à escola pelotense incentiva que os adolescentes conheçam mais sobre variedades de alimentos e se apropriem de receitas e preparações em um momento de aumento exponencial da terceirização da alimentação da população mundial, que consome cada vez mais produtos industrializados e não se envolve nos processos de preparo do que será consumido. “A gente vê essa perda de saberes e de conhecimentos sobre os alimentos. Estamos ficando cada vez mais restritos a um número muito pequeno de alimentos que são conhecidos e consumidos pelas pessoas, até mesmo entre opções convencionais. Então para os estudantes foi uma grande surpresa descobrir que plantas que eles até viam na rua ou na ornamentação de praças são alimentícias, e conhecer outras que nunca tinham visto ou entrado em contato”, avalia.

No final da atividade, o PANCPOP doou à escola um kit de mudas PANC, contendo espécies como bucha vegetal (Luffa aegyptiaca), peixinho-da-horta, caramoela (Dioscorea bulbifera), picão-branco (Galinsoga parviflora), picão-preto (Bidens pilosa), framboesa silvestre (Rubus rosifolius), erva de pinto (Stellaria media) e ora-pro-nóbis.


Parceria institucional

Para além das ações que realiza no território Zona Sul, com ênfase na feira de São Lourenço do Sul e com agricultores e agricultoras de São Lourenço, o PANCPOP tem colaborado com projetos institucionais.

O diálogo com o Hortas Urbanas teve início no período de distanciamento imposto pela pandemia de Covid-19. Desde lá, as equipes têm realizado reuniões sistemáticas, e PANCPOP foi convidado a participar de uma live e integrar um livro (disponível abaixo) organizado pelo projeto da Ufpel.

Segundo Jaqueline, novas atividades estão sendo programadas e as oficinas do PANCPOP em parceria com o Hortas Urbanas serão expandidas em 2024.


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Ação foi desenvolvida em parceria com o projeto Hortas Urbanas da Ufpel

Foto: Equipe Pancpop