ACESSIBILIDADE

ILA e Neai promovem acessibilização plena para pessoas cegas em exposição artística

Obras contam com audiodescrição e texto em braile; exposição recebe visita de estudantes cegos no dia 22 de novembro

Photograph: Fernando Halal/Secom

Inaugurada no dia 19 de outubro e em permanência no Saguão do Prédio das Artes - situado no campus Carreiros -, a exposição artística Recriar, da artista Fabiana Stone, recebeu um trabalho de audiodescrição e descrição em braile completo do seu acervo. A ação é fruto de uma parceria entre o Núcleo de Estudos e Ações Inclusivas (Neai) e o Instituto de Letras e Artes (ILA), por meio do curso de Artes Visuais, e tem como objetivo tornar acessível a arte para aqueles que não podem ver.

No dia 22 de novembro, a exposição receberá a visita de alunos da Escola de Educação Especial José Álvares de Azevedo, além de estudantes cegos da FURG.

De acordo com o Marcelo Gobatto, professor do curso de Artes Visuais, o espaço foi preparado para atender pessoas cegas por meio da completa audiodescrição e descrição em braile do acervo artístico, a ação é pioneira neste formato. “Poder realizar este trabalho nos dá a expectativa de que, daqui em diante, possamos aprimorar cada vez mais nossas ações de inclusão em iniciativas artísticas e culturais”, explicou o professor.

Ainda segundo Gobatto, pensar a inclusão é uma preocupação constante na atualidade, o que ele enxerga como uma tendência social, e, considerando o papel formador da universidade, é por meio dela que a mudança precisa começar. “Entendendo a grande importância que as universidades têm no aspecto de relevância e fomento cultural, além de todo trabalho formador e educacional, é essencial que estejamos a frente desse processo, promovendo inclusão e acesso nas atividades propostas dentro da instituição”, comentou.

Para a diretora de Arte e Cultura da FURG, Débora Amaral, arte e cultura são direitos constitucionais, e ainda assim, o cenário social posto é de negação ou pouca compreensão deste direito. Pensando nisso, a FURG, por meio de seus espaços expositivos, trabalha na resistência da garantia de oferta deste direito, através do acesso e das tentativas de descentralização, apoiando ações nas mais diversas frentes para não apenas conscientizar, mas promover, de fato, acessibilidade.

“Para além disso, a FURG vem buscando garantir que a arte possa ser acessibilizada por todas as pessoas, por meio de movimentos de acessibilidade cultural. Nossas ações institucionais, construídas na teimosia e na esperança de quem acredita no poder transformador da arte, mostram que essas ações são necessárias e possíveis. Vivemos um cenário político que tem buscado fortalecer a política de acessibilidade cultural, como exemplo disso vemos na aplicação da Lei Paulo Gustavo a obrigatoriedade de 10% do recurso investido aplicado em acessibilidade cultural, seja no aspecto arquitetônico, atitudinal ou comunicacional”, complementou a gestora.

Sobre o processo de acessibilização

De acordo com a coordenadora do Neai, Cristiane Fernandes, a parceria entre o curso de Artes Visuais e o núcleo começou há algum tempo. A parceria gerou frutos por meio da realizando de ações de acessibilização de diversos materiais produzidos pelos estudos do curso, e agora, avança mais uma etapa com a proposta de acessibilização integral da exposição Recriar.

“Essa exposição é formada por esculturas, o que facilita o entendimento das obras por pessoas cegas; mas queríamos ampliar a acessibilidade para além do toque, inserindo descrições de detalhes que são percebidos apenas por meio da visão”, detalhou a professora.

Assim, a equipe do Neai realizou a audiodescrição das obras, disponível ao lado de cada peça por meio de um Qrcode. Além disso, também anexado ao lado de cada peça está a sua descrição completa em braile, impressa por meio da Sala de Recursos Multifuncional do núcleo.

Visita da Escola de Educação Especial José Alvares de Azevedo

No dia 22 de novembro, a universidade receberá a visita de algumas turmas de estudantes cegos da Escola de Educação Especial José Alvares de Azevedo, além de estudantes cegos da FURG, demonstrando a plena acessibilidade da ação e incentivando o consumo de cultura por todos e para todos. Segundo Cristiane, a ideia - e o grande sonho do Neai -, é fazer com que toda gama de conhecimento, ações e possibilidades que a instituição abarca em suas atividades estejam disponíveis para toda comunidade acadêmica, em suas peculiaridades e necessidades específicas.

“É muito importante que nada impeça essas pessoas de ter acesso, em sua completude e dentro das suas características, a tudo aquilo que é ofertado dentro da universidade”, apontou a coordenadora.

Sobre a exposição e a artista

A iniciativa faz parte do Projeto de Extensão e Cultura “Expoarte DAQUI”, coordenado pelo professor Gobatto. A ação reúne uma série de trabalhos de artistas que vivem e produzem em Rio Grande e nas cidades do seu entorno, e acontece na FURG desde julho de 2022. Segundo o professor, o objetivo é promover visibilidade para a produção local, considerando tanto a relevância para a formação dos estudantes quanto para a comunidade.

“Somos carentes de espaços de exposição e atividades artísticas; inclusive, por vezes os artistas são egressos da universidade, e, mesmo aqueles que não tiveram sua formação junto à FURG, também encontram dificuldades em conseguir espaço para apresentar seu trabalho”, contextualizou Gobatto.

Fabiana Stone é formada em artes visuais pela FURG, e, desde 2009, atua como professora da rede municipal. Além de premiações, a artista conta com obras expostas em vários estados do Brasil, além de passagens internacionais como Portugal, Alemanha e Estados Unidos. Atualmente, Fabiana é vice-diretora, curadora e professora da Escola de Belas Artes Heitor de Lemos.

“Fabiana tem uma característica na sua produção: a vasta maioria de suas obras são feitas com material reciclado. Sua técnica predominante é o uso do papel machê”, completou Gobatto. Confira a seguir algumas fotos de peças que compõe a exposição.

 

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Obras contam com audiodescrição e texto em braile; exposição recebe visita de estudantes cegos no dia 22 de novembro

Fernando Halal/Secom